I. Textos freudianos

1. “A Interpretação dos Sonhos – Capítulo VII”
Semanal, segundas-feiras, 17h.

      Freud faz a seguinte comparação para nos falar das forças impulsoras do sonho. “É possível que o resto diurno represente na formação do sonho o papel do empresário: o empresário possui uma ideia e quer explorá-la; porém não pode fazer nada sem capital e necessita de um sócio capitalista que arque com os gastos. No sonho o capitalista que arca com o gasto psíquico necessário para a formação do sonho é sempre, qualquer que seja o resto diurno, um desejo inconsciente.”
      Trata-se de uma economia do aparelho psíquico que precisa da fala em transferência, numa análise, para chegar à interpretação do desejo em termos de sua realização, que coloca na partida uma falta. Algo singular que não é da ordem da aplicação de um saber. Tem a ver com a ética, com o fazer do homem, e é diferente do que se entende como realização no nível mais raso do mercado de saberes, regido pela perversão capitalista masoquista.
      É certo que não dá para sonhar com a igualdade, pois é por não haver justiça na vida que desenvolvemos tantas teorias sobre justiça. Contudo, há um ponto ético apontado por Freud que faz diferença na maneira de repartir.

Coordenação: Gracinda Peccini, Iaci Torres Pádua e Isabel Martins Considera.


2. “Análise terminável e interminável e Construções em análise”
Semanal, sextas-feiras, 10h.

      Nesse texto de 1937, crucial para a formação dos analistas, Freud volta sobre as operações no tratamento analítico e suas regras de funcionamento. É a partir do retorno a seu texto que podemos nos interrogar sobre o que lá estava implícito em relação à direção que nos orienta, hoje, em termos do real da experiência analítica, uma precedência teórico-estrutural, que logicamente fundamenta o discurso da psicanálise.
      Vemos a dimensão daquilo que Freud propõe como construção em análise, enquanto tempo necessário da experiência analítica, para que certos termos se apresentem, ganhem valor e possam ser questionados em outro tempo.
      Freud, assim, insiste com questões que norteiam a direção do seu trabalho, e as dirige aos analistas: a que chega em termos de final de análise? O que resta como não analisado? O que se apresenta como limite à eficácia do tratamento analítico? Onde e como o analista pode adquirir as condições de que necessitará para as operações que lhe cabem?

Coordenação: Gracinda Peccini e Marilu Guerreiro.

II. Escritos e Seminários de Lacan

1. “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”
Semanal, quartas-feiras, 18h15.

      Logo no início do texto, Lacan diz que encontraremos neste seu discurso de Roma as marcas das circunstâncias que o introduzem.
      Havia as circunstâncias locais, dissenções que tentavam impedir a fala de Lacan, e a vinda à luz de um vício que ultrapassava esses problemas: a pretensão de regular autoritariamente a formação do analista que perpetua a depreciação da doutrina freudiana.
      Como diz Lacan: “Urgente parece-nos a tarefa de destacar em noções que se enfraquecem num uso rotineiro o sentido que elas resgatam tanto de um retorno a sua história quanto de uma reflexão sobre seus fundamentos subjetivos. É essa sem dúvida a função de quem ensina, da qual todas as outras dependem, e é nela que melhor se inscreve o valor da experiência”.

Coordenação: Edméa Roque, Iaci Torres Pádua e Sonia Damasceno.

2. “Paradoxos do Gozo”
Semanal, sextas-feiras, 11h30.

      No Seminário “A Ética da psicanálise”, Lacan faz um caminho que o leva a um ponto que nomeia “o paradoxo do gozo”, no qual introduz a problemática existente no campo a ser atravessado pelo real da experiência analítica.
      O modo como vai abrindo e trazendo as questões em pontos fundamentais, de fronteira, pontua o nó estreito entre lei e desejo e as funções do bem e do belo que, enquanto barreiras, podem dar acesso ao modo de sustentação e defesa do sujeito, em relação a um gozo que lhe é excedente. É na estrutura desse campo central, com aspectos de inacessibilidade, que precisamos caminhar com os paradoxos em relação à visada do desejo.

Coordenação: Gracinda Peccini, Maria Auxiliadora Bragança de Oliveira e Marilu Guerreiro.